A Perimetral Leste de Foz do Iguaçu foi planejada para melhorar o trânsito de cargas e tirar o fluxo pesado de dentro da cidade. Apesar dessa função importante, a obra tem gerado preocupação por causa dos impactos no dia a dia da população que vive ao redor da rodovia.
Hoje, moradores e comerciantes enfrentam dificuldades principalmente pela falta de acessos adequados e pela pouca integração da rodovia com as ruas da cidade. Na prática, isso tem causado isolamento de bairros, aumento no tempo de deslocamento e a necessidade de fazer caminhos mais longos para percursos que antes eram simples.
Um dos motivos dessa situação é a divisão de responsabilidades entre os diferentes níveis de governo. Como a Perimetral é uma rodovia federal, ela é administrada pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), que é responsável pelo projeto, pelas regras técnicas e pelo funcionamento da via. Isso inclui decisões importantes, como onde ficam os acessos, retornos e passagens.
O Governo do Estado do Paraná (DER/PR) participou da construção e continua atuando em ajustes no sistema viário. É o Estado que executa mudanças práticas, como alterações no trânsito e fechamento de retornos. Essas ações costumam ser justificadas por segurança, mas acabam afetando diretamente a rotina dos moradores, principalmente quando não existem alternativas adequadas.
Prefeitura – Já a Prefeitura de Foz do Iguaçu sente mais diretamente a pressão da população. Mesmo assim, não tem controle sobre a rodovia. O papel do município é tentar negociar soluções com os outros órgãos e adaptar o trânsito da cidade para reduzir os impactos. Ainda assim, o poder de decisão é limitado, o que gera insatisfação entre os moradores.
O problema mais grave hoje é o isolamento de bairros ao longo da Perimetral. A rodovia foi construída com controle de acessos, um modelo comum em estradas voltadas para o transporte de cargas. Esse tipo de via precisa de estruturas complementares, como viadutos, marginais e passarelas, para manter a ligação entre os bairros. Como essas estruturas não são suficientes, muitas regiões ficaram praticamente separadas.
Isso dificulta o deslocamento entre áreas próximas e o acesso a serviços, comércio e equipamentos públicos. Em alguns casos, moradores acabam atravessando a rodovia de forma improvisada, o que aumenta o risco de acidentes.

Os impactos também já aparecem na economia local. Comerciantes relatam queda no movimento, principalmente em regiões que perderam acessos diretos. Isso reforça a ideia de que a obra funciona bem para o trânsito de cargas, mas ainda não atende às necessidades da população.
Gestão – Outro fator que dificulta a solução do problema é o próprio modelo de gestão. A União controla a parte técnica da rodovia, o Estado faz as intervenções e o Município lida com os impactos no dia a dia. Essa divisão acaba atrasando decisões e dificulta uma solução rápida.
Diante desse cenário, cresce a possibilidade de atuação de órgãos como o Ministério Público Federal e o Ministério Público do Estado do Paraná. Esses órgãos podem investigar possíveis falhas no planejamento da obra, a falta de medidas para reduzir os impactos e os riscos à segurança da população.
A discussão agora gira em torno da necessidade de melhorar a infraestrutura já existente, com novos acessos, construção de viadutos e passarelas, além de uma melhor integração com o sistema viário da cidade.
No fim, a Perimetral Leste mostra um problema comum em grandes obras: resolver uma questão importante, como o trânsito de cargas, mas acabar criando novos desafios para quem vive na região. Para que a obra funcione plenamente, será necessário um esforço conjunto entre União, Estado e Município, garantindo que a população também seja atendida.
Isolamento – Uma vistoria realizada no dia 6 de janeiro de 2026 reforçou essa situação. Participaram representantes da Polícia Rodoviária Federal (PRF), do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes, do DER do Paraná, do Foztrans e da Construtora JL.

Durante a inspeção, foi identificado que a rodovia ainda precisava de ajustes, principalmente na segurança e nos acessos. Por isso, três acessos considerados críticos foram fechados de forma preventiva, devido à falta de sinalização adequada e ao risco para os motoristas.
A presença de todos esses órgãos mostra que a responsabilidade pela Perimetral é dividida: o DNIT cuida do projeto e das regras da rodovia, o Estado executa as obras e ajustes, o município acompanha os impactos na cidade e a construtora ainda atua na correção de problemas da obra.
Ofícios – Diante da situação de descaso dos órgãos competentes a AmacFoz enviou Ofícios para a Ouvidoria do DNIT e para a Superintendência Regional do DER/PR. Se não houver solução, a AMAC pode fazer uma representação ao Ministério Público do Estado do Paraná ou ao Ministério Público Federal.



