Mesmo com mudanças nas regras de compensação da energia elétrica, especialistas apontam que a energia solar continua sendo uma das alternativas mais econômicas para residências.
A instalação de sistemas de energia solar fotovoltaica cresce ano após ano no Brasil, impulsionada pela busca por economia na conta de luz, sustentabilidade e maior autonomia energética. No entanto, desde a entrada em vigor da Lei nº 14.300, muitos consumidores têm dúvidas sobre a chamada cobrança do Fio B e se o investimento ainda compensa.
A resposta é: sim, continua compensando, mas entender as novas regras é fundamental para fazer um projeto adequado.
O que é o Fio B?
O Fio B corresponde à parcela da tarifa de distribuição destinada à manutenção, operação e expansão da rede elétrica utilizada pelas distribuidoras.
Mesmo quem produz sua própria energia por meio de painéis solares continua utilizando essa infraestrutura. Durante o dia, quando há excesso de geração, a energia é injetada na rede. À noite ou em dias nublados, essa mesma rede fornece eletricidade para a residência.
Em outras palavras, a rede pública funciona como uma espécie de “bateria virtual”, permitindo o equilíbrio entre geração e consumo. O Brasil é o único país que cobra essa tarifa? Não.
Diversos países revisaram suas políticas de incentivo à energia solar à medida que a geração distribuída cresceu. Durante muitos anos, era comum o sistema conhecido como net metering, no qual cada quilowatt-hora (kWh) gerado compensava integralmente um kWh consumido da rede.
Hoje, diversos países têm substituído o antigo modelo de compensação integral da energia por mecanismos que procuram equilibrar os incentivos à geração distribuída com os custos de manutenção da rede elétrica. Entre essas alternativas estão a remuneração reduzida pela energia excedente injetada na rede, a cobrança de tarifas específicas pelo uso da infraestrutura de distribuição, incentivos para que os consumidores utilizem a maior parte da energia que produzem (autoconsumo) e o estímulo à adoção de baterias para armazenamento da energia gerada, diminuindo a dependência da rede pública.
Ou seja, cobrar pelo uso da rede elétrica não é uma exclusividade brasileira. O que muda de país para país é a forma como essa cobrança é realizada.
Como funciona atualmente no Brasil? A Lei nº 14.300 estabeleceu um período de transição para os novos sistemas fotovoltaicos. Em 2026, os consumidores que instalaram sistemas após as regras de transição pagam 60% da tarifa correspondente ao Fio B sobre a energia compensada. Esse percentual continuará aumentando gradualmente até atingir o modelo definitivo previsto na legislação. O objetivo é equilibrar os custos de manutenção da rede elétrica entre todos os consumidores.
Ainda vale a pena investir em energia solar? Segundo especialistas do setor, sim. Mesmo com a cobrança parcial da tarifa de distribuição, a economia continua significativa, especialmente em residências com elevado consumo de energia, como aquelas que utilizam aparelhos de ar-condicionado, aquecimento elétrico ou veículos elétricos.
Além da economia na conta de energia elétrica, a instalação de um sistema fotovoltaico proporciona uma série de benefícios adicionais. Entre eles estão a valorização do imóvel, a maior proteção contra futuros reajustes nas tarifas de energia, a redução das emissões de gases de efeito estufa por meio da utilização de uma fonte renovável e a produção de energia limpa, contribuindo para um modelo de desenvolvimento mais sustentável e ambientalmente responsável.
Com as novas regras, os projetos modernos procuram maximizar o chamado autoconsumo, isto é, utilizar a maior parte da energia produzida no próprio momento da geração. Essa estratégia aumenta a eficiência econômica do sistema e reduz a dependência da compensação de créditos junto à distribuidora. No futuro, tecnologias como baterias residenciais e sistemas inteligentes de gerenciamento de energia deverão ampliar ainda mais essa autonomia.
Energia solar continua sendo um bom investimento
Para moradores que pretendem construir ou reformar suas residências, especialmente em bairros comprometidos com a sustentabilidade, como a Cognópolis, a energia solar permanece uma excelente alternativa de longo prazo.
A recomendação é que o sistema seja dimensionado por profissionais qualificados, considerando o perfil de consumo da família e buscando privilegiar o uso direto da energia produzida.
Embora as regras tenham mudado, a geração própria de energia continua representando uma importante oportunidade para reduzir despesas, aumentar a eficiência energética e contribuir para um futuro mais sustentável.



